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Subprefeitura da Zona Leste promete entregar BRT

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Projeto “Corredor Aricanduva” pretende integrar linhas de metrô, trem e terminais de ônibus

De camisa vermelha e sentado na primeira fileira do auditório, o aposentado Joaquim dos Santos não tirava os olhos das apresentação projetada na parede.

Ex-motorista de lotação, ele era uma das cerca de 40 pessoas presentes na consultoria pública realizada pela SPObras (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura da Cidade de São Paulo), na zona leste.

O encontro realizado na última terça-feira (14), na subprefeitura de Aricanduva/Formosa/Carrão, apresentou o projeto “Corredor Aricanduva”, demanda importante não só para Santos, já que pretende integrar linhas de metrô, trem e outros terminais de ônibus à região, começando na Radial Leste e indo até o terminal São Mateus.

Planejado como um BRT (Bus Rapid Transit, em inglês), o corredor terá uma extensão de 13,6 km, com faixas localizadas à esquerda. Além de criação de ciclovia em todo trecho.

“Como esse BRT vai correr do lado esquerdo, que é o lado do rio, vai passar por pontos de enchentes. Como um BRT vai conseguir cruzar uma enchente?”, questiona Santos.

Apesar de melhorar a mobilidade, Jean Carlos do Vale, 23, membro do coletivo Bike Zona Leste, chama atenção para questão da segurança dos ciclistas.

 

Espero que eles implementem estruturas para reduzir a velocidade dos motoristas, não permitindo que excedam os limites de velocidade.

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Sobre essas questões, a representante da SPObras, Antônia Guglielmi, salientou que a Prefeitura de São Paulo já vem realizando obras para sanar o problema dos alagamentos antes da implementação do corredor e que serão pensadas estratégias para que o motorista respeite o limite de velocidade.

 

Como vai funcionar?

A extensão do corredor será dividida em 22 paradas, abrangendo seis distritos e quatro subprefeituras, onde moram cerca de 800 mil habitantes. A iniciativa pode atender uma demanda estimada de 290 mil passageiros por dia.

Se concluído, este será o 1º BRT da cidade com a chamada cobrança desembarcada, ou seja, os passageiros pagarão a passagem em catracas localizadas na entrada dos pontos de ônibus e não para um cobrador.

De acordo a pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), Gabriela Trindade, “a cobrança desembarcada é algo que favorece, faz com que as pessoas embarquem de forma mais rápida, porém demanda uma estrutura maior, criando uma obra mais cara e difícil”.

 

Financiamento

O recurso para financiamento para construção do BRT está em fase final de negociação com o Banco Mundial. Este deve aprovar o investimento de 121 milhões de dólares (cerca de 500 milhões de reais) ainda em janeiro deste ano.

De acordo com a representante da SPObras, depois disso, a previsão é de que o projeto executivo seja realizado e aprovado e as obras comecem no início de 2021.

Até lá, mais consultas públicas vão ocorrer em outras subprefeituras da zona leste para que as demandas da população sejam levadas em consideração no projeto final.

 

O papel das subprefeituras é fazer a união com todas as secretarias, colher as demandas da população e lideranças para aprimorar o projeto e garantir que seja bem executado, eliminando assim o maior número de erros e problemas na fase de implementação. — Roberto Bernal, subprefeito de São Mateus, em entrevista ao 32xSP

 

Os moradores podem ainda acionar a equipe responsável pelo projeto do corredor através do e-mail: consultabancomundial@spobras.sp.gov.br.

 

O que é um BRT?

De acordo com a pesquisadora Gabriela Trindade, o termo BRT (Bus Rapid Transit, em inglês, ou transporte rápido por ônibus) surgiu nos EUA, nos anos 1990, se referindo à sistemas de transporte urbano por ônibus que funcionavam melhor e, consequentemente, atraiam mais público.

“De forma geral, o BRT basicamente tenta se aproximar das características de desempenho e conforto dos modernos sistemas de transporte sobre trilhos. Mas a um custo consideravelmente menor”, afirma a pesquisadora.

É um tipo de corredor mais seguro, rápido e eficiente do que os convencionais. Em São Paulo há dois corredores BRT em funcionamento, o ABD e o Expresso Tiradentes. Entretanto, alguns profissionais do setor de mobilidade considerem apenas o segundo estritamente enquadrados na definição de BRT.

Para a especialista, a cidade precisa de mais sistemas deste tipo, porém o metrô seria a forma de transporte ideal. “São Paulo deveria sim ter mais corredores, mas eles não solucionam o problema de mobilidade, eles têm limitações, não são sistemas de alta capacidade”.

 

Por: 32xSP.  Foto: Ana Beatriz Felício – 32xSP.

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